Translate

terça-feira, 31 de julho de 2012

Presidente do Equador suspende publicidade oficial em meios de comunicação privados

Reprodução



O presidente do Equador, Rafael Correa, durante programa televisivo estatal Enlace Ciudadano

Os meios de comunicação privados do Equador não irão mais receber publicidade oficial do governo. A decisão do presidente do país, Rafael Correa, acontece após veículos da oposição acusarem sua administração de "inundar" os jornais com propaganda governamental. Para eles, se tratava de "um atentado à liberdade de expressão".

"De agora em diante, não enviaremos publicidade para a mídia mercantilista", ordenou Correa ao secretário-nacional de Comunicação, Fernando Alvarado, na edição 282 do Enlace Ciudadano, um programa de televisão estatal transmitido aos finais de semana. “Porque não precisamos gastar o dinheiro dos equatorianos para beneficiar o negócio de seis famílias equatorianas”, explicou o presidente para a rede televisiva no último sábado (28/07).


A medida foi imediatamente criticada pelos meios de comunicação locais, como o El Comercio, Diario Hoy, La Hora, Ecuavisa eTeleamazonas, que apontaram "violação dos direitos de informação e de liberdade de expressão", informou o jornal El Tiempo.

Em 16 de junho, Correa pediu aos meios de comunicação para rejeitar a publicidade do governo que fosse indesejada por meio de um comunicado aos órgãos públicos competentes. Em uma entrevista a uma emissora de rádio local, Diego Cornejo, presidente da Associação Equatoriana de Editores de Jornais, respondeu que os veículos não enviariam nenhuma carta renunciando a propaganda porque “isso vai contra a lógica do negócio”. Cornejo ainda acrescentou que o governo poderia retirar seus anúncios caso desejasse.

Como os meios de comunicação admitiram publicamente sua finalidade mercantil, o presidente equatoriano decidiu aceitar a opção de retirar toda publicidade oficial dos veículos privados. “Para que continuar enchendo os bolsos de meia dúzia de famílias, quando nos dizem claramente que colocam seus negócios à frente do direito de comunicação”, disse Correa. “Então, por que com o dinheiro do povo equatoriano vamos beneficiar estes negócios”, acrescentou ele.

Opera Mundi

Cuba, a ilha da saúde

 


Após a Revolução, a medicina virou prioridade e transformou a ilha em referência; hoje, Cuba concentra o maior número de médicos por habitante

  




Desde o triunfo da Revolução de 1959, o desenvolvimento da medicina tem sido a grande prioridade do governo cubano, o que transformou a ilha do Caribe em uma referência mundial neste campo. Atualmente, Cuba é o país que concentra o maior número de médicos por habitante.

Em 2012, Cuba formou mais 11 mil novos médicos, os quais completaram sua formação de seis anos em faculdades de medicina reconhecidas pela excelência no ensino. Trata-se da maior promoção médica da história do país, que tornou o desenvolvimento da medicina e o bem-estar social as prioridades nacionais. Entre esses médicos recém-graduados, 5.315 são cubanos e 5.694 vêm de 59 países da América Latina, África, Ásia e até mesmo dos Estados Unidos, com maioria de bolivianos (2.400), nicaraguenses (429), peruanos (453), equatorianos (308), colombianos (175) e guatemaltecos (170). Em um ano, Cuba formou quase o dobro de médicos do total que dispunha em 1959. [1]

Após o triunfo da Revolução, Cuba contava somente com 6.286 médicos. Dentre eles, três mil decidiram deixar o país para ir para os Estados Unidos, atraídos pelas oportunidades profissionais que Washington oferecia. Em nome da guerra política e ideológica que se opunha ao novo governo de Fidel Castro, o governo Eisenhower decidiu esvaziar a nação de seu capital humano, até o ponto de criar uma grave crise sanitária. [2]

Como resposta, Cuba se comprometeu a investir de forma maciça na medicina. Universalizou o acesso ao ensino superior e estabeleceu a educação gratuita para todas as especialidades. Assim, existem hoje 24 faculdades de medicina (contra apenas uma em 1959) em treze das quinze províncias cubanas, e o país dispõe de mais de 43 mil professores de medicina. Desde 1959, se formaram cerca de 109 mil médicos em Cuba. [3] Com uma relação de um médico para 148 habitantes (67,2 médicos para 10 mil habitantes ou 78.622, no total), segundo a Organização Mundial da Saúde, Cuba é a nação mais bem dotada neste setor. O país dispõe de 161 hospitais e 452 clínicas. [4]

No ano universitário 2011-2012, o número total de graduados em Ciências Médicas, que inclui 21 perfis profissionais (médicos, dentistas, enfermeiros, psicólogos, tecnologia da saúde etc.), sobe para 32.171, entre cubanos e estrangeiros. [5]

Wikimedia Commons

Sede da Escola Latino-Americana de Medicina em Havana

A ELAM

Além dos cursos disponíveis nas 24 faculdades de medicina do país, Cuba forma estudantes estrangeiros na Elam (Escola Latino-Americana de Medicina de Havana). Em 1998, depois que o furacão Mitch atingiu a América Central e o Caribe, Fidel Castro decidiu criar a Elam – inaugurada em 15 de novembro de 1999 – com o intuito de formar em Cuba os futuros médicos do mundo subdesenvolvido.

“Formar médicos prontos para ir onde eles são mais necessários e permanecer quanto tempo for necessário, esta é a razão de ser da nossa escola desde a sua fundação”, explica a doutora Miladys Castilla, vice-reitora da Elam. [6] Atualmente, 24 mil estudantes de 116 países da América Latina, África, Ásia, Oceania e Estados Unidos (500 por turma) cursam uma faculdade de medicina gratuita em Cuba. Entre a primeira turma de 2005 e 2010, 8.594 jovens doutores saíram da Elam. [7] As formaturas de 2011 e 2012 foram excepcionais com cerca de oito mil graduados. No total, cerca de 15 mil médicos se formaram na Elam em 25 especialidades distintas. [8]

A Organização Mundial da Saúde prestou uma homenagem ao trabalho da Elam: “A Escola Latino-Americana de Medicina acolhe jovens entusiasmados dos países em desenvolvimento, que retornam para casa como médicos formados. É uma questão de promover a equidade sanitária (…). A Elam (…) assumiu a premissa da “responsabilidade social”. A Organização Mundial da Saúde define a responsabilidade social das faculdades de medicina como o dever de conduzir suas atividades de formação, investigação e serviços para suprir as necessidades prioritárias de saúde da comunidade, região ou país ao qual devem servir.

A finalidade da Elam é formar médicos principalmente para fornecer serviço público em comunidades urbanas e rurais desfavorecidas, por meio da aquisição de competências em atendimento primário integral, que vão desde a promoção da saúde até o tratamento e a reabilitação. Em troca do compromisso não obrigatório de atender regiões carentes, os estudantes recebem bolsa integral e uma pequena remuneração, e assim, ao se formar, não têm dívidas com a instituição.

[No que diz respeito ao processo seletivo], é dada preferência aos candidatos de baixa renda, que de outra forma não poderiam pagar os estudos médicos. “Como resultado, 75% dos estudantes provêm de comunidades que precisam de médicos, incluindo uma ampla variedade de minorias étnicas e povos indígenas”.

Os novos médicos trabalham na maioria dos países americanos, incluindo os Estados Unidos, vários países africanos e grande parte do Caribe de língua inglesa.

Faculdades como a Elam propõem um desafio no setor da educação médica do mundo todo para que adote um maior compromisso social. Como afirmou Charles Boelen, ex-coordenador do programa de Recursos Humanos para a Saúde da OMS: “A ideia da responsabilidade social merece atenção no mundo todo, inclusive nos círculos médicos tradicionais... O mundo precisa urgentemente de pessoas comprometidas que criem os novos paradigmas da educação médica”. [9]

A solidariedade internacional

No âmbito dos programas de colaboração internacional, Cuba também forma, por ano, cerca de 29 mil estudantes estrangeiros em ciências médicas, em três especialidades: medicina, enfermagem e tecnologia da saúde, em oito países (Venezuela, Bolívia, Angola, Tanzânia, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Timor Leste). [10]

Desde 1963 e o envio da primeira missão médica humanitária a Argélia, Cuba se comprometeu a curar as populações pobres do planeta, em nome da solidariedade internacional e dos sete princípios da medicina cubana (equidade, generosidade, solidariedade, acessibilidade, universalidade, responsabilidade e justiça). [11] As missões humanitárias cubanas abrangem quatro continentes e têm um caráter único. De fato, nenhuma outra nação do mundo, nem mesmo as mais desenvolvidas, teceram semelhante rede de cooperação humanitária ao redor do planeta. Desde o seu lançamento, cerca de 132 mil médicos e outros profissionais da saúde trabalharam voluntariamente em 102 países. [12] No total, os médicos cubanos curaram 85 milhões de pessoas e salvaram 615 mil vidas.  [13] Atualmente, 31 mil colaboradores médicos oferecem seus serviços em 69 nações do Terceiro Mundo. [14]

Segundo o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), “um dos exemplos mais bem sucedidos da cooperação cubana com o Terceiro Mundo é o Programa Integral de Saúde para América Central, Caribe e África”. [15]

Nos termos da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América), Cuba e Venezuela decidiram lançar em julho de 2004 uma ampla campanha humanitária continental com o nome de Operação Milagre. Consiste em operar gratuitamente latino-americanos pobres, vítimas de cataratas e outras doenças oftalmológicas, que não tenham possibilidade de pagar por uma operação que custa entre cinco e dez mil dólares. Esta missão humanitária se disseminou por outras regiões (África e Ásia). A Operação Milagre possui 49 centros oftalmológicos em 15 países da América Central e do Caribe. [16] Em 2011, mais de dois milhões de pessoas de 35 países recuperaram a visão. [17]

A medicina de catástrofe

No que se refere à medicina de catástrofe, o Centro para a Política Internacional de Washington, dirigido por Wayne S. Smith, ex-embaixador dos Estados Unidos em Cuba, afirma em um relatório que “não há dúvida quanto à eficiência do sistema cubano. Apenas alguns cubanos perderam a vida nos 16 maiores furacões que atingiram a ilha na última década e a probabilidade de perder a vida em um furacão nos Estados Unidos é 15 vezes maior do que em Cuba”. [18]

O relatório acrescenta que: “ao contrário dos Estados Unidos, a medicina de catástrofe em Cuba é parte integrante do currículo médico e a educação da população sobre como agir começa na escola primária […]. Até mesmo as crianças menores participam dos exercícios e aprendem os primeiros socorros e técnicas de sobrevivência, muitas vezes através de desenhos animados, e ainda como plantar ervas medicinais e encontrar alimento em caso de desastre natural. O resultado é a assimilação de uma forte cultura de prevenção e de uma preparação sem igual”. [19]

Alto IDH

Esse investimento no campo da saúde (10% do orçamento nacional) permitiu que Cuba alcançasse resultados excepcionais. Graças à sua medicina preventiva, a ilha do Caribe tem a taxa de mortalidade infantil mais baixa da América e do Terceiro Mundo – 4,9 por mil (contra 60 por mil em 1959) – inferior a do Canadá e dos Estados Unidos. Da mesma forma, a expectativa de vida dos cubanos – 78,8 anos (contra 60 anos em 1959) – é comparável a das nações mais desenvolvidas. [20]

As principais instituições internacionais elogiam esse desenvolvimento humano e social. O Fundo de População das Nações Unidas observa que Cuba “adotou há mais de meio século programas sociais muito avançados, que possibilitaram ao país alcançar indicadores sociais e demográficos comparáveis aos dos países desenvolvidos”. O Fundo acrescenta que “Cuba é uma prova de que as restrições das economias em desenvolvimento não são necessariamente um obstáculo intransponível ao progresso da saúde, à mudança demográfica e ao bem-estar”. [21]

Cuba continua sendo uma referência mundial no campo da saúde, especialmente para as nações do Terceiro Mundo. Mostra que é possível atingir um alto nível de desenvolvimento social, apesar dos recursos limitados e de um estado de sítio econômico extremamente grave, imposto pelos Estados Unidos desde 1960, que situe o ser humano no centro do projeto de sociedade.

*Doutor em Estudos Ibéricos e Latinoamericanos pela Univerdade Paris Sorbonne-Paris IV, Salim Lamrani é professor encarregado de cursos na Universidade Paris-Sorbonne-Paris IV e na Universidade Paris-Est Marne-la-Vallée e jornalista, especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos. Seu libro mais recente é “Etat de siège. Les sanctions économiques des Etats-Unis contre Cuba” (“Estado de sítio. As sanções econômicas dos Estados Unidos contra Cuba”, em tradução livre), Paris, Edições Estrella, 2011, com prólogo de Wayne S. Smith e prefácio de Paul Estrade. Contato: Salim.Lamrani@univ-mlv.fr /Página no Facebook: https://www.facebook.com/SalimLamraniOfficiel

Referências bibliográficas:
[1] José A. de la Osa, “Egresa 11 mil médicos de Universidades cubanas”, Granma, 11 de julho de 2012.
[2]  Elizabeth Newhouse, “Disaster Medicine: U.S. Doctors Examine Cuba’s Approach”, Center for International Policy, 9 de julho de 2012. http://www.ciponline.org/research/html/disaster-medicine-us-doctors-examine-cubas-approach (site consultado em 18 de julho de 2012).
[3] José A. de la Osa, “Egresa 11 mil médicos de Universidades cubanas”, op. cit.; Ministério das Relações Exteriores, “Graduados por la Revolución más de 100.000 médicos”, 16 de julho de 2009. http://www.cubaminrex.cu/MirarCuba/Articulos/Sociedad/2009/Graduados.html (site consultado em 18 de julho de 2012).
[4] Organização Mundial da Saúde, “Cuba: Health Profile”, 2010. http://www.who.int/gho/countries/cub.pdf (site consultado em 18 de julho de 2012); Elizabeth Newhouse, “Disaster Medicine: U.S. Doctors Examine Cuba’s Approach”, op. cit.
[5] José A. de la Osa, « Egresa 11 mil médicos de Universidades cubanas », op.cit.
[6] Organização Mundial da Saúde, “Cuba ayuda a formar más médicos”, 1º de maio de 2010. http://www.who.int/bulletin/volumes/88/5/10-010510/es/ (site consultado em 18 de julho de 2012).
[7] Escola Latino-Americana de Medicina de Cuba, “Historia de la ELAM”. http://www.sld.cu/sitios/elam/verpost.php?blog=http://articulos.sld.cu/elam&post_id=22&c=4426&tipo=2&idblog=156&p=1&n=ddn (site consultado em 18 de julho de 2012).
[8] Agência cubana de notícias, “Over 15,000 Foreign Physicians Gratuated in Cuba in Seven Years”, 14 de julho de 2012.
[9] OMS, “Cuba ayuda a formar más médicos”, op. cit.
[10] José A. de la Osa, “Egresa 11 mil médicos de Universidades cubanas”, op. cit.
[11] Ladys Marlene León Corrales, “Valor social de la Misión Milagro en el contexto venezolano”, Biblioteca Virtual en Salud de Cuba,  março de 2009. http://bvs.sld.cu/revistas/spu/vol35_4_09/spu06409.htm (site consultado em 18 de julho de 2012).
[12] Felipe Pérez Roque, “Discurso del canciller de Cuba en la ONU”, Bohemia Digital, 9 de novembro de 2006.
[13] CSC News, “Medical Brigades Have Treated 85 million”, 4 de abril de 2008. http://www.cuba-solidarity.org.uk/news.asp?ItemID=1288 (site consultado em 18 de julho de 2012).
[14] Felipe Pérez Roque, “Discurso del canciller de Cuba en la ONU”, op. cit.
[15] PNUD, Investigación sobre ciencia, tecnología y desarrollo humano en Cuba, 2003, p.117-119. http://www.undp.org.cu/idh%20cuba/cap6.pdf (site consultado em 18 de julho de 2012).
[16] Ministério das Relações Exteriores, “Celebra Operación Milagro cubana en Guatemala”, República de Cuba, 15 de novembro de 2010. http://www.cubaminrex.cu/Cooperacion/2010/celebra1.html (site consultado em 18 de julho de 2012) Operación Milagro, “¿Qué es la Operación Milagro?”. http://www.operacionmilagro.org.ar/ (site consultado em 18 de julho de 2012).
[17] Operación Milagro, «¿Qué es la Operación Milagro?», op. cit.
[18] Elizabeth Newhouse, “Disaster Medicine: U.S. Doctors Examine Cuba’s Approach”, op. cit.
[19] Ibid.
[20] Ibid.
[21] Raquel Marrero Yanes, “Cuba muestra indicadores sociales y demográficos de países desarrollados”, Granma, 12 de julho de 2012.

Opera Mundi

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Folha e Merval admitem a farsa do mensalão, e pedem ao STF voltar a aplicar o AI-5

 

Na hora da verdade, o jornal "Folha de São Paulo" e o colunista do jornal "O Globo" Merval Pereira já começam a pipocar diante do julgamento do mensalão.

Em editorial, a Folha admite que mentiu nos últimos 7 anos de investigações, pois não foi possível provar as acusações centrais: nem compra de votos, nem a origem pública do dinheiro.

Essa é a grande farsa do mensalão. Se a denúncia fosse de caixa-2 de campanha, coisa admitida por todos, e que todas as provas apontam para isso, seria um processo honesto. Mas quiseram carregar nas tintas para forjar uma crise política, e inventaram a estória da compra de votos e de que doações de campanha por caixa-2 de empresas privadas seria dinheiro público.

Agora, tudo indica, não haverá como condenar a maioria dos acusados.

O que pede a Folha, então? Com outras palavras, pede ao STF que aplique os critérios de um monstrengo criado pela ditadura, o AI-5. Aquele dispositivo na mão do ditador para cassar algum adversário político que incomodava, inventando alguma acusação sobre ele como desculpa, dizendo para o distinto público que era "moralização" da política e "combate à corrupção".

Merval Pereira faz a mesma coisa. Admite que o julgamento é político. Dissimula em texto burilado o pedido para o STF também aplicar o AI-5 em nome da "moralidade pública".

Se a Folha e Globo ainda fossem apenas fascistas, mas pelo menos tivessem honestidade de propósitos, seria questão de divergência política. O problema é que a preocupação com moralidade e combate à corrupção passam longe nestes veículos de comunicação, pois tem uma enorme má vontade em aprofundar no mensalão tucano, na privataria tucana e na CPI do Cachoeira, quando aponta para José Serra (PSDB-SP).

Esses órgãos de imprensa querem apenas expurgar trabalhistas e socialistas da política brasileira, para recolocar no Planalto os demotucanos velhos de guerra, governos dóceis aos interesses econômicos dos barões da mídia.

A mentira de Merval

O colunista do Globo contou uma mentira ao argumentar que Eduardo Azeredo (PSDB-MG) responde a processo por responsabilidade e Lula não, devido a decisão política do Procurador-Geral.

A verdade é que Azeredo foi incluído no processo do mensalão tucano porque há cheques para ele e recibos, que são provas materiais. Contra Lula, vasculharam à vontade e não acharam nada.
 
Amigos do Presidente Lula

Tarso Genro: o "mensalão" foi uma tentativa da direita de destruir pela sua grande mídia o PT e sua história



Tarso Genro: Tentaram a destruição do PT como comunidade partidária


Publicamos aqui a intervenção do companheiro Tarso Genro, publicado hoje no jornal Estado de São  Paulo, por considerar que ela traz elementos importantes para um posicionamento do PT frente ao ataque generalizado que volta a sofrer por ocasião do julgamento do vulgarmente chamado "mensalão".

A atitude de um partido socialista deve ser a de denunciar os ataques da direita e, ao mesmo tempo, a de aprender criticamente com a experiência, reafirmando sua opção de transformação radical da sociedade, o que inclui a própria questão da democracia. Radicalizar a democracia, torná-la substantiva e participativa, é o caminho para olhar para frente e para enfrentar o ódio dos que querem aniquiliar nosso partido.

Do site do Estado de S. Paulo

Refiro-me à questão do mensalão com uma questão política do Estado brasileiro, da política brasileira, e não como um processo judicial sob o qual deveremos esperar os resultados. O mensalão, sob essa ótica, foi um divisor de águas na história do PT porque nos defrontamos com um massivo ataque, pode-se dizer, de 90% da mídia do País, com um processo de incriminação "em grupo". A incriminação não foi direcionada para indivíduos ou grupos definidos, e sim para uma comunidade partidária em abstrato. É tática usada pelas posições extremistas e autoritárias que apareceram na história moderna. Vejam o nazismo: incriminação em abstrato de uma raça. Vejam o stalinismo: incriminação em abstrato de toda pessoa discordante do regime. Vejam a visão que paira em determinadas posições políticas no Oriente Médio: os muçulmanos, "em geral" os fundamentalistas, são culpados de tudo.

O que ocorreu no mensalão, mais do que a preparação de um processo judicial, foi uma tentativa de destruição do PT como comunidade partidária, porque todos os indivíduos que integravam o PT e toda a comunidade petista não partidária foram incriminados.

Temos de aprender com essa experiência e tomar extremos cuidados com qualquer tipo de comportamento nosso frente às estruturas do Estado brasileiro, para que não proporcionemos novamente uma unidade tão grande contra o PT, que foi atacado como projeto partidário, como comunidade ética e comunidade política - e por isso o mensalão foi um divisor de águas.

Mesmo assim, defendo que estava correto em propor o movimento da refundação do partido. A proposta causou um estranhamento nos dirigentes mais antigos do PT, porque se pensou, na oportunidade, que era um movimento contra uma geração. A ideia, porém, era buscar uma renovação e uma reconstrução partidária. E, mais do que isso, de renovação da cultura partidária do PT. Daí nasceu a corrente interna "Mensagem ao Partido", que tem dado uma contribuição importante aos debates de fundo sobre o PT. Se observarmos os documentos da "Mensagem ao Partido", estão ali todos os elementos políticos, ideológicos e programáticos de uma visão refundacionista, que quer dizer: reestruturação, renovação, planejamento cultural e manutenção das ideias socialistas democráticas que estão na origem do PT.

O que podemos tirar como lição do mensalão é tentar proporcionar uma nova cultura política do PT, que construa uma estratégia de alianças não somente a partir de necessidades imediatas, mas de fundamentos programáticos e ético-políticos mais sólidos. Um partido novo como o PT, que tem uma história política dentro de um País de vida democrática recente, tem de saber assimilar esse conceito. Por exemplo: não sou contra alianças com o "centro", sou a favor das alianças com o "centro", mas defendo que devem ser construídas a partir de uma aliança com outros partidos de esquerda. Uma aliança com outros partidos de esquerda dá mais fundamento programático, e o fundamento programático faz o balizamento do comportamento das pessoas na estrutura do Estado. Essa é uma herança clara que nós temos de saber assimilar e processar.

Fontehttp://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item_id=319339

Preparação para o Grito dos Excluídos 2012 já começou em todo o país

 


Natasha Pitts

 
O Grito dos Excluídos - mobilização nacional que acontece em todo o Brasil no dia 7 de setembro - já está tomando forma. Em várias cidades estão sendo realizadas atividades de preparação como seminários e encontros para debater o lema do ano e organizar a série de mobilizações que vão protagonizar a Semana da Pátria.
A 18ª edição do Grito tem como lema ‘Queremos um Estado a serviço da Nação, que garanta direitos a toda população’. De acordo com Wagner Marques, das Pastorais Sociais de Belo Horizonte (Minas Gerais, Brasil), o tema está ligado à 5ª Semana Social Brasileira e buscou dar voz à população.
"O tema escolhido quer trabalhar com a cidadania sobre a questão dos direitos. Aqui em Belo Horizonte nos estamos abordando mais de perto e tentando conscientizar sobre a questão do voto, por ser um ano eleitoral, e da saúde, que foi o tema da Campanha da Fraternidade deste ano”, explica.
Wagner aponta que em Belo Horizonte já foram realizados seis encontros para preparar o Grito dos Excluídos na região. A próxima atividade será um seminário, que acontecerá de 8h às 13h, dia 11 de agosto, na Escola Estadual Paulo Mendes Campos (Avenida Assis Chateaubriand, 429, Floresta - BH).
A programação do Seminário contempla análise de conjuntura, debate Geral sobre o lema e oficinas temáticas que vão focar: criminalização da pobreza; privatização e PPPs; saúde e agrotóxicos; violência contra a mulher; eleições e corrupção; reforma urbana; defesa do meio ambiente e mineração; educação e cultura.
Todos os interessados/as em participar deste momento de formação são convidados. O seminário é aberto e gratuito. Para informações e inscrições, escrever para gritodosexcluidosbh@gmail.com ou ligar para (31) 3428-8046.
As ações de preparação e formação de BH vão culminar no dia 7 de setembro na Praça da Estação. A partir das 8h terá início a concentração para em seguida começar a passeata. Os/as participantes/as vão acompanhar um trio elétrico e seguir cantando e escutando a fala de lideranças até a chegada à Praça 7 de Setembro, onde haverá um grande abraço de paz em volta da praça.
Em outras cidades brasileiras, os eventos e ações ligados ao Grito dos Excluídos também já estão sendo preparados. No dia 17 de maio aconteceu em Fortaleza, no Ceará, o Encontro Estadual de Preparação ao Grito dos Excluídos para pensar a realização do Grito 2012 na região. Em 17 de julho, a Ação Social Arquidiocesana promoveu a 1ª reunião de preparação para o Grito em Salvador, na Bahia. Neste mesmo dia, o Fórum Regional das Pastorais Sociais de Teresina (Piauí) realizou a 1ª Plenária do Grito dos Excluídos 2012. No dia 14 de agosto, o Fórum vai realizar o "Dia D do Grito" para reivindicar, protestar e compartilhar todas as atividades que foram já foram realizadas. As demais regiões e dioceses do país também estão preparando caminhadas, manifestações em frente a órgãos públicos e seminários para debater e refletir o lema deste ano.
O que é
O Grito dos Excluídos é uma manifestação popular que todos os anos leva para as ruas de diversas cidades brasileiras pessoas e grupos comprometidos com as causas dos excluídos/as. A mobilização tem três sentidos principais: denunciar o modelo político e econômico que concentra riquezas e renda e condena milhões à exclusão social; tornar público o rosto desfigurado dos grupos excluídos, vítimas do desemprego, da miséria e da fome; e propor caminhos alternativos ao modelo econômico neoliberal, de forma a desenvolver uma política de inclusão social com a participação ampla de todos os cidadãos e cidadãs.
Todos os anos, desde 1995, o Grito dos Excluídos acontece no dia 7 de setembro – Dia da Independência brasileira - para mostrar que a população do país não está satisfeita apenas com uma independência "politicamente formal”, mas deseja uma verdadeira independência, que passa pela soberania da nação, com a implementação de políticas públicas de forma autônoma e livre.

Adital

Chávez diz que burguesia nunca mais voltará ao poder na Venezuela

O candidato a presidente da República da Venezuela, Hugo Chávez, fez um chamamento aos seus adeptos a que trabalhem para derrotar a oligarquia nas eleições de 7 de outubro próximo, com um “nocaute” de 10 milhões de votos". E enfatizou que os bolivarianos não permitirão que a burguesia jamais volte ao poder.


"Viva a pátria livre! Viva a independência! Viva a Revolução Socialista! Viva o povo de Petare! Viva Caracas!" - expressou Chávez neste sábado (28) diante de milhares de pessoas que lhe manifiestaram apoio no distrito de Petare.

Chávez, em companhia do povo que o apoia, realizou uma caravana pelas ruas que rodeiam a estrada velha de Petare-Guarenas, como parte das atividades da campanha eleitoral.

O líder bolivariano recordou que cuando foi vitorioso nas eleições de 1998, obteve mais de 3 milhões de votos, enquanto que "em uma década subimos a 7 milhões e 300 mil votos, agora vamos aos 10 milhões, e para isso será necessário trabalhar duro, de casa em casa, em cada rua, por todos os bairros de Petare, La Dolorita, Leoncio Martínez, e todos os municípios de Miranda, Barlovento, Los Valles de Tuy y Los Teques".

O candidato da Revolução afirmou que os partidos da direita nunca mais voltarão a governar o país e que a burguesia está desesperada fazendo promessas para depois se esquecer do povo.

Ele fez referência à história mais recente do país ao recordar a revolta social conhecida como Caracazo, ocorrida em 1989, quando a Força Armada Nacional, sob o mandato de governos neoliberais, massacrou o povo que reclamava seus direitos.

"Com rajadas de metralhadoras massacraram um povo inocente, que estava morrendo de fome, o que era produto do governo burguês da AD e do Coppei (partidos que se revezavam no poder) e da Fedecâmaras (Federação de Câmaras e Associações de Comércio e Produção da Venezuela) subordinado ao império ianque, que pretendem de novo instalar na Venezuela. Nunca mais voltarão a governar esta pátria, nunca mais!"
Chávez enfatizou que a Venezuela "é um país independente e livre”. E insistiu: “Nunca mais permitiremos que a Venezuela seja colônia do império ianque nem de ninguém".

Neste contexto, destacou em uma reflexão histórica as raízes indígenas do povo venezuelano, assim como a mestiçagem e a afrodescendência "Este é um povo heroico!" - disse.

Filhos de Bolivar

"Agora os burgueses inventaram que o candidato da direita é descendente de Bolivar", recordou Chávez sobre as declarações da oposição de que seu candidato seria sobrinho em oitavo grau do Libertador.

O líder bolivariano assinalou que Bolivar "sentiria vergonha, que ridículo pretender dessa maneira tão absurda lesionar a todos nós que estamos construindo, porque hoje Bolivar ressuscitou. Nós somos os filhos de Bolivar, as filhas de Bolivar, nosso pai que hoje vive nesta batalha".

O presidente agradeceu de público as mensagens de felicitações por seu aniversário transcorrido no sábado (28), quando completou 58 anos, que foram publicadas na rede Twitter desde a noite da sexta-feira (27).

Com Agência Venezuelana de Notícias


VERMELHO

Bandos mercernários sofrem grandes perdas na Síria

 

Forças governamentais causaram grandes perdas aos grupos armados que tentam ganhar posições em diferentes províncias do país, informaram neste domingo as autoridades.


No nordeste, na província de Deir Ezzor, fronteriça com o Iraque, as forças do governo enfrentaram os grupos mercenários na cidade do mesmo nome no bairro Al-Ardi e também em uma área rural de Al-Mayadin, causando-lhes uma grande quantidade de baixas.

Uma tentativa de infiltração de um grupo armado a partir do Líbano pelos povoados de Al-Mathuma e Shahira situados em uma zona de Tal Kalakh, na província de Homs, a 162 quilômetros de Damasco, foi abortada pelas autoridades com o resultado de vários mortos e feridos entre os terroristas.

Enquanto isso, na província sulista de Deraa, a 109 quilômetros da capital, e em Busra al-Sham, bandos armados sufreram grande quantidade de baixas em enfrentamentos com o Exército Sírio.

Por outro lado, os mercenários não conseguiram avançar ao enfrentar as forças governamentais no bairro de Salahedin, em Alepo, a segunda cidade e coração econômico da Síria, depois de iniciada uma ofensiva governamental para eliminar sua presença na zona.

Segundo analistas que se encontram no terreno, os bando mercenários pretendiam conectar o bairro de Salahedin ao de Sahur, para criar um corredor que lhes permitisse receber ajuda desde o exterior, principalmente da Turquia.

Também foi abortada uma tentativa de infiltração de um grupo desde a Turquia em áreas de Idleb, perto de Ain Beida, na jurisdição de Yesser Shoughour, a mais de 350 quilômetros a noroeste do país.

Em outros enfrentamentos nessa região os bandos armados da oposição perderam vários veículos equipados com metralhadoras e outras armas.
Em relação ao conflito na Síria, o jornal britânico Sunday Telegraph informou sobre a presença de combatentes islâmicos no norte de Siria.

Segundo a publicação há elementos procedentes do Paquistão, Bangladesh e Chechênia, além de outros países, confirmando que 40 por centos deles falam inglês e são de nacionalidades desconhecidas.

No sábado (28), a rede de |TV estadunidense CNN revelou que mais de 30 mercenários procedentes da Líbia se transferiram para a Síria para participar na agressão contra este país.

O grupo que ingressou no território sírio é dirigido por Al-Mahdi al-Harati, considerado um dos principais chefes de bandos que derrubaram o governo líbio.

Apelos à intervenção

A forte batida das autoridades síria fez com que vários países ocidentais que apoiam os grupos mercenários manifestassem preocupação pelos fatos, entre eles o presidente francês, Francois Hollande, que solicitou uma una intervenção urgente do Conselho de Segurança da ONU.

O líder do Conselho Nacional Sírio (CNS), Abdel Baset Sayda, que conta com apoio financeiro e militar dos países imperialistas, fez um apelo neste domingo (29) para que países estrangeiros armem ainda mais os mercenários que lutam contra o governo do presidente Bashar Al-Assad.

Ele também reivindicou o apoio dos países árabes ao Exército Livre da Síria (ELS).

Aliança Irã-Síria

Por outro lado, os chanceleres do Irã, Ali Akbar Salehi, e da Síria, Walid Al-Moallem, rechaçaram qualquer intervenção estrangeira na crise do país árabe, e ratificaram apoio ao plano de paz de Kofi Annan.

Os dois ministros de Relações Exteriores mantiveram conversações oficiais em Teerã e chamaram os Estados Unidos, outros países ocidentais e árabes a cessarem a ingerência no conflito sírio e deixarem de apoiar os grupos terroristas da oposição.

Depois de enaltecer o bom nível das relações entre a Síria e o Irã, Salehi ratificou que o Irã "permanecerá sempre junto à Síria".

Ele acrescentou que a solidariedade seguirá invariável, mais ainda nestes momentos para enfrentar o que considerou como uma uma evidente violação dos direitos de um país e do direito internacional.

Nesse sentido, fontes da chancelaria iraniana assinalaram que os chanceleres também falaram sobre as alternativas para "frustrar o terrorismo apoiado pelos Estados Unidos" e derrotar os bandos armados da oposição, agora com maior ação bélica na cidade de Aleppo.

Os dois chanceleres se pronunciaram também favoráveis a manter em execução as reformas adotadas pelo presidente Bashar Al-Assad "em linha com a materialização de demandas populares mediante o diálogo e a interação como vias para superar os atuais problemas na Síria".

O chanceler sírio, Al-Moallem, por seu lado, agradeceu a amizade iraniana coa a Síria "em tempos difíceis" e elogiou a postura de princípios frente à interferência de Washington nos assuntos internos de Damasco, assim como no fornecimento de armas e outros recursos à oposição.

O ministro sírio assinalou que o suprimento de armas e munições se faz sabendo que os opositores cometerão atos de sabotagem e terrorismo na Síria, por isso, recriminou alguns governos árabes - que evitou mencionar - pela hostilidade para com seu país e a submissão ao Ocidente.

"Nós, os sírios estamos determinados a derrotar os planos intervencionistas do regime sionista (de Israel) e o Exército sírio enfrentará firmemente os terroristas e instaurará a paz e a estabilidade no país", enfatizou o ministro árabe.

Em outro momento da coletiva de imprensa, ele sublinhou que a Síria se considera comprometida com o plano de paz de seis puntos do enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, em contraste com a rejeição ao al diálogo por parte da oposição armada.

"Chamamos os partidos de oposição a negociar com o governo, e temos tratado de conversar com eles, mas seus atos terroristas bloqueiam as negociações", explicou.


O Vermelho

domingo, 29 de julho de 2012

Instabilidade árabe e estratégia dos EUA

 

                      
Joseph Massad, Al-Jazeera, Qatar
Um ano e meio depois do que a imprensa e funcionários do governo dos EUA insistem em chamar de "Primavera Árabe", há bem pouca democracia nos países árabes, inclusive nos países que derrubaram ditaduras e ditadores apoiados pelos EUA. A principal mudança na região é o fim da estabilidade que havia e a implantação de uma nova instabilidade que tem efeitos negativos para os investimentos do capital imperial e sobre toda a estratégia imperial na região.
Isso não implica dizer que, apesar das vacilações iniciais, o imperialismo norte-americano não tenha conseguido recapturar vários fios do novo jogo político na região e que já não os esteja manipulando. Só implica dizer que o imperialismo norte-americano já não controla todos os fios. A evidência de que os EUA não têm controle total significa que Washington ainda não foi capaz de restaurar a estabilidade, a qual, em termos norte-americanos, é definida como governos ditatoriais inchados de funcionários que são obedientes cumpridores do diktat dos EUA e seus parceiros juniores na região: a colônia-ocupação judeu-sionista.
Instabilidade sem democracia
No Iêmen, os EUA tornaram-se novos ditadores diretos absolutos do país, no qual já dispensaram o agente local. Estão prendendo e matando iemenitas à vontade, sob o pretexto de combater o terror da al-Qaeda, que sequer existia no Iêmen antes de os
EUA decidirem intervir naquele país empobrecido. O terror que as forças e o embaixador dos EUA naquele país, Gerald Feierstein, ali impuseram é a principal realização do governo Obama desde o início das revoltas árabes, em janeiro de 2011.
O outro país árabe sobre o qual os EUA exercem controle quase absoluto é o Bahrain, apesar de todas as tentativas empreendidas pela ditadura bahraini, mercenários sauditas operam - sabidamente ajudados por militares e forças de segurança dos EUA e Grã-Bretanha, que operam no apoio e consultoria - para esmagar a revolta, violência contra a qual continua a levantar-se o valente povo oprimido do Bahrain.
Enquanto o capital regional e imperial vai lentamente abandonando o Bahrain, trocando-o pelos vizinhos Qatar, Arábia Saudita e Dubai, com êxodo em massa da comunidade de expatriados, a presença militar dos EUA, para nem falar da hegemonia dos mercenários sauditas, só se intensifica. De fato, os sauditas lançaram a ideia-teste, em maio, de anexar o Bahrain, de vez, ao reino; e transformá-lo demograficamente, o que seria feito pelo mecanismo de usar-se uma monarquia sunita sectária para oprimir uma maioria xiita.
Na revolta que prossegue, os sauditas das regiões de Qatif e Al-Ahsa responderam àquela proposta, nos últimos dias - pregando, em aberto desafio ao despotismo dos sauditas e suas decisões imperiais sobre o Bahrain, a secessão: querem separar-se da Arábia Saudita e reunificar-se ao Bahrain, como antes de o estado saudita ter-se apossado da região.
Na Líbia, cujo neonome é "instabilidade" (exceto no setor do petróleo), a situação é semelhante à do Iraque nove anos depois de os EUA terem invadido e ocupado o país. Recentes eleições na Líbia confirmaram no poder o homem da OTAN, Mahmoud Jibril, apesar de sua comprovada capacidade-zero para controlar o país (exceto os campos de petróleo, policiados diretamente pela OTAN).
Quanto à competição eleitoral entre Qatar e Arábia Saudita nas eleições na Tunísia e no Egito (os sauditas apoiam as forças dos regimes depostos; o Qatar apoia a Fraternidade Muçulmana), os qataris venceram, mas sem nocaute; e os sauditas estão impondo condições.
Agentes do governo dos EUA, como sempre, jogam em todos os times, aliados, ao mesmo tempo, aos ditadores militares egípcios e aos Irmãos da Fraternidade Muçulmana, para não falar dos partidos liberais seculares.
Na Tunísia, a instabilidade do novo governo manifestou-se em disputas pelo poder entre o presidente e o primeiro-ministro, seculares e grupos salafistas, e entre o aparelho repressivo de segurança e as massas nas ruas, em protesto. O vacilante partido Ennahdha está vendo expostas ao escrutínio público as suas armações e maquinações, a mais recente das quais é ter dado passaporte diplomático ao líder do partido, Rashid al-Ghannushi, que não foi jamais nem eleito nem nomeado para cargo algum, e, mesmo assim, contra todas as convenções, obteve o tal passaporte. Acrescentando insulto à injúria, essa semana funcionários do estado tunisiano xingaram a mãe de Muhammad Bouazizi - o primeiro mártir das revoltas árabes - e a meteram na cadeia, por alegados insultos a um funcionário da Justiça.
No Marrocos, na Jordânia e em Omã, repressão e cooptação - métodos de controle tradicionalmente patrocinados pelos imperialistas - continuam ativados por governos que se mantêm no poder mediante diferentes ameaças contra diferentes grupos de cidadãos.
Exceto em três casos - Egito, Tunísia e Líbia -, o Qatar, a Arábia Saudita e os EUA mantêm-se em perfeito acordo sobre como lidar com as revoltas no resto da região (Bahrain, Omã, Jordânia e Marrocos e, claro, no Iêmen, onde as diferenças que houvesse foram superadas pela remoção de Abdullah Saleh, que foi substituído no governo pelo embaixador dos EUA, Gerald Feierstein[1]), inclusive na Síria, onde a estratégia unificada de todos, para o curto prazo, é derrubar o governo de Assad.
Persistem os desacordos, é verdade, sobre como lidar com a Autoridade Palestina. Investigação conduzida recentemente pela rede Al Jazeera sugeriu que a morte do presidente da Autoridade Palestina Yasser Arafat pode ter sido provocada por exposição a elemento altamente radiativo, o polônio. A ideia, por sua vez, disparou por todos os lados a crença de que Arafat pode ter sido assassinado por um complô no qual cooperaram agentes israelenses e da Autoridade Palestina. Tudo isso aumenta a fragilidade e a instabilidade da Autoridade Palestina - a qual, além do mais, parece estar falida, apesar dos esforços empenhadíssimos de Israel para obter empréstimos do FMI à Autoridade Palestina, os quais, até agora, deram em nada.
O Qatar talvez goste de ver a desgraça da Autoridade Palestina, mas EUA e Israel (e os sauditas) não estão gostando. Fato é que Mahmoud Abbas correu para a Arábia Saudita, para pedir dinheiro para manter à tona a Autoridade Palestina.
A estratégia dos EUA
Nada disso opera a favor nem do capital nem da estratégia norte-americanos. De fato, o aspecto mais importante de todas as estratégias dos EUA na região é abrir caminho até, e preços baixos para, o petróleo, sempre - além de estimular o mais possível todas as rixas e atritos entre todos os países da região, para assim justificar que todos aqueles países consumam todos os lucros que auferem do petróleo, para comprar armas que os EUA vendem a todos eles e as quais, para que continuem a comprá-las, os países têm, é claro, que usar e gastar (armas e munição) - ao mesmo tempo em que mantêm viva a indústria bélica dos EUA.
No fundo, Washington pouca importância dá às rivalidades entre Omã e Emirados Árabes Unidos, ou entre Omã e Arábia Saudita - menos ainda, às brigas de Iêmen e Arábia Saudita, e praticamente dão importância-zero ao que o Qatar pense da ou faça à Arábia Saudita... desde que esses países não se envolvam em confronto militar real.
Em matéria de conflito real, os EUA só admitem um: guerra combinada de todos essas ditaduras, unidas e acrescidas de Kuwait e Bahrain, contra a República Islâmica do Irã.
Nessa arena, nada mudou. Embora a "instabilidade" interna no Bahrain, em Omã e na região leste da Arábia Saudita seja preocupante, funcionários do governo dos EUA (com os israelenses aplaudindo e, não raras vezes, tomando a dianteira) investem grandes esperanças e muito tempo numa pesada campanha de propaganda contra o Irã - o único, dentre os três produtores gigantes de petróleo da região (além de Iraque e Arábia Saudita), que se mantém fora da órbita na qual os EUA exercem pleno controle.
O fato de os regimes sectários do Golfo identificarem como xiitas as massas em revolta no Bahrain e na Arábia Saudita; e como ibadis, em Omã (mas o sultão de Omã é também crente ibadi; então, os sauditas puseram-se a falar mais sobre uma dita opressão que os sunitas sofreriam em Omã) facilitou a conexão que funcionários dos governos de EUA e estados do Golfo estão inventando entre a chamada "ameaça iraniana" e as revoltas locais. Assim, conseguem explicar compras cada vez mais gigantescas de armas, e preços mais em conta a pagar pelo petróleo... o que se chama "sucesso das metas políticas dos EUA".
O petróleo e a estrutura de governo do Iraque continuam sob tutela dos EUA. Isso, aliado à transferência discreta do controle sobre os campos de petróleo líbio, para as potências europeias, tem conseguido manter a estabilidade por hora e para o futuro próximo.
Circularam rumores de que os qataris teriam sugerido que alugariam o Canal de Suez. Os rumores foram desmentidos. Mas bastaram para tranquilizar ainda mais os funcionários do governo dos EUA: parece já não haver dúvidas de que a "Primavera Árabe", boa parte da qual foi patrocinada pelo Qatar, não prejudica nem impõe grave ameaça aos interesses dos EUA. Como sempre, não percebem que o que poderia proteger os interesses dos EUA seria a estabilidade. E o que se vê na região é só instabilidade e revolta.
Os qataris aconselham paciência. Argumentam que a região voltará à estabilidade, tão logo se implantem ali novos governos islamistas amigos do ocidente e do Golfo; então o bolo econômico afinal crescerá e poderá incluir empresários e empresárias islamistas. E dali em diante será business como sempre para os EUA, eternamente.
Egito
O recente confronto entre Muhammad Morsi, presidente do Egito, o Judiciário, o comando do Exército e os EUA e, talvez, a questão mais quente do momento. Diz-se que Washington teria encorajado o recém-eleito presidente egípcio a confrontar o Judiciário e o alto comando militar, por causa da dissolução do Parlamento. O movimento, que foi precipitado, saiu pela culatra e Morsi teve de voltar atrás, depois de ameaçado pelo Judiciário (juízes nomeados por Mubarak).
O recente movimento dos EUA, de apoiar a Fraternidade Muçulmana contra o conselho dos militares, como principal aliado, explica-se: Washington afinal percebeu que os generais não poderão mais ajudar os interesses dos EUA, porque não conseguirão impor qualquer estabilidade ao país. A oposição popular, contra os militares da era Mubarak é uniforme e forte. Nem repressão massiva, de estilo sírio, é possível, porque causaria revolta ainda mais massiva, não promoveria qualquer estabilidade e apressaria o fim desses militares.
Por outro lado, os EUA têm recebido repetidas garantias e promessas, de Khayrat al-Shatir, um dos líderes dos Irmãos Muçulmanos, neoliberal e multimilionário, de que a Fraternidade será aliada neoliberal mais confiável do capital dos EUA e a favor da estratégia dos EUA para o Oriente Médio, que Mubarak. Os qataris não se cansam de elogiar a presteza da Fraternidade Muçulmana, para tudo que signifique promover os interesses dos EUA.
Essa foi a situação que tornou menos provável o coup d'état, dos militares, contra Morsi, depois de eleito; os agentes dos EUA opuseram-se ao golpe, não porque haja alguma restrição norte-americana democrática a ditaduras (nem pensar!), mas porque havia novas análises estratégicas que indicavam que golpe algum restabeleceria a estabilidade; e, muito provavelmente, aumentaria a instabilidade.
Mas os Generais, esses, estão decididos a provar a Washington que apostou no cavalo errado, ao apoiar a Fraternidade Muçulmana. Por isso, adotaram a estratégia de minar qualquer possibilidade de o governo de Morsi vir a dar certo; por isso limitaram seus poderes e negaram-lhe o apoio da maioria parlamentar eleita. Quanto aos liberais egípcios, eles não apenas aprovaram a dissolução politicamente motivada do Parlamento (estranha aprovação, por liberais democratas, mas considerada 'normal' no Egito acometido de fobia-anti-Fraternidade-Muçulmana; e considerada ainda mais normal entre liberais ocidentalizados arrogantes e islamófobos); além de aprovar a dissolução do Parlamento, outro daqueles liberais democratas, empresário e capitão de indústria milionário, Mamduh Hamza, conclamou o exército a derrubar imediatamente o presidente recém-eleito.
Como parte da estratégia geral para a região, os norte-americanos continuam a manter as relações de concubinato que sempre os ligaram aos Generais e aos liberais do país, apesar da forte atração que sentem pela Fraternidade Muçulmana.
O fato de os sauditas terem convidado o presidente Morsi a interromper seu trabalho de governar e ir visitá-los e mostrar-se totalmente subserviente (apesar de os sauditas terem feito oposição à candidatura de Morsi), e o fato de Morsi ter obedecido servilmente, e ter sido humilhado durante a visita, faz perfeito sentido e comprova os laços de subserviência e conivência que unem Fraternidade Muçulmana e sauditas, desde os anos 1950s.
Velhas alianças
Para recordar à Fraternidade Muçulmana quem manda e quem obedece, os jornais sauditas desenterraram uma foto, publicada há uma semana, em que se vê o fundador da Fraternidade Muçulmana Hasan al-Banna, beijando a mão do rei Abd al-Aziz, como evidência de submissão, nos anos 1940s[2].
Os sauditas deram a Morsi recepção humilhante. O novo príncipe coroado saudita recebeu Morsi no aeroporto (o rei não apareceu). E nem o novo príncipe coroado apareceu para despedir-se, nem na partida. Embora seja possível que Morsi seja independente, ou que venha a governar como presidente independente, seus inimigos insistem em apresentá-lo como testa de ferro de al-Shatir. Se for verdade, e seja lá quem for o conselheiro que Morsi ouve, é mau conselheiro. Até agora, as duas principais ações de Morsi na presidência saíram-lhe pela culatra: desafiar o Conselho Militar e visitar a Arábia Saudita.
O resultado de tudo isso para o futuro do Egito permanece incerto e obscuro, com Washington continuando a jogar dos dois lados da quadra e controlando vários cordões do jogo, mas não todos. É verdade que os EUA estão hoje menos apavorados e trêmulos de medo do que estavam imediatamente depois da queda de Mubarak. Os grandes players, ainda são os generais do Exército, além dos EUA; na fila, em sequência, vêm a Fraternidade Muçulmana apoiada pelo Qatar, e os sauditas, tradicionais apoiadores do regime de Mubarak.
Os funcionários dos EUA ainda não sabem a que o atual curso de eventos levará a região. A situação na Jordânia está ligada à do Egito, Síria, Cisjordânia, Iraque e o resto do Golfo, e permanece a mais volátil, dentre as monarquias ainda "estáveis", situação semelhante à de Omã. As recentes manifestações massivas no Sudão visam a enfraquecer o governo despótico de Omar al-Bashir, levado ao poder por golpe contra a democracia sudanesa em 1989 (e cujas relações com os EUA azedaram nos anos 1990s), mas, até aqui, sua resposta às manifestações populares tem sido tão violenta quanto a dos sauditas ao lidar com o levante que lhes cabe.
Os norte-americanos continuam comprometidos não com alguma "democracia", mas com a estabilidade - estratégia identificada pelo acadêmico e consultor do governo dos EUA Samuel P. Huntington, em seu livro clássico de 1968 sobre a importância da ordem e da estabilidade política no mutável Terceiro Mundo, para os interesses imperiais.
Tomar as democracias por estruturas inerentemente instáveis e as ditaduras por garantia de estabilidade já não é curso viável de ação para os agentes do governo dos EUA, mas eles ainda não decidiram se mantêm esse ideário para alguns países e o abandonam em outros casos.
Embora a região continue a carecer da democracia pela qual seus povos lutam há mais de um século, contadas a "Primavera Árabe" e as mudanças de regime que geraram, a principal conquista dos levantes populares, até agora, foi a instabilidade.
Essa instabilidade pode, sim, forçar uma mudança das regras estratégicas do jogo que os EUA introduziram na região depois da II Guerra Mundial. Essa é a boa notícia para todos os povos árabes.
[1] Sobre ele, ver "Embaixador dos EUA no Iêmen: o novo ditador", 10/7/2012, Jamal Jubran, Al-Akhbar, Líbano, em português em http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2012/07/embaixador-dos-eua-no-iemen-o-novo.html [NTs].
[2] Vê-se a foto em http://www.aawsat.com//details.asp?section=4&issueno=12277&article=685584&feature. Msg de Twitter, 8/7/2012, em https://twitter.com/Hayder_alKhoei/status/222449887311183872
http://www.iranews.com.br/noticias.php?codnoticia=8595
Joseph Massad, Al-Jazeera, Qatar

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2012/07/201271511521721772.html

Joseph Massad é professor de Política e História Intelectual Árabe Moderna

na Columbia University, em New York.

Tradução: Vila Vudu

Pravda.ru

O poder da guerra: uma abordagem evolutiva

 

A guerra, sem duvida nenhuma, desempenha um papel fundamental na história da humanidade e através dela é que a sociedade se transformou no que é hoje. A história da humanidade e a história das guerras estão associadas, sendo que ascensão e queda de impérios, reinos e civilizações dependem quase sempre da aplicação de forças militares.
Apesar das muitas mudanças que tiveram lugar na história da guerra certas constantes permanecem. O sucesso na guerra pertence àqueles que se prepara melhor; e o treinamento o municiamento e a organização dos exércitos são os fatores centrais dessa preparação. (Pág. 06, Gilbert)
Até onde os estudos arqueológicos podem comprovar, os primeiros grandes exércitos foram os assírios que tinham grandes forças e estratégias. Essa civilização se encontrava na Mesopotâmia e Egito.
Os egípcios também tinham formidável organização militar e grande aparato bélico. Para ter o domínio de sua região eles empregavam formidáveis carros de guerras como bigas em campo de batalha. E, com seu poder e vitorias conseguiram construir uma das maiores civilizações que o mundo já viu a antiga civilização egípcia.
Com o avanço da tecnologia bélica e das novas formas de política, a Grécia surge como a grande transformadora do modo de fazer guerra no seu período. Uma das cidades-estado mais famosas, em se tratando de ter bons guerreiros, que era Esparta. Os seus guerreiros ganharam mais fama nos dias de hoje com o filme "300 de Esparta".
Na própria Grécia e na vizinha macedônia surge Alexandre, o Grande, sendo que seu invencível império conquistou o mundo antigo e promoveu com isso um modo de vida e cultura o Helenismo.
Os gregos foram responsáveis pela criação pela criação da principal unidade de infantaria de seu tempo, a falange. O tipo de guerra inextricavelmente associada a ela era o confronto decisivo entre dois corpos de soldados de moção lenta e grande disciplina, que avançavam de encontro um ao outro em formações cerradas e protegidas, até se engalfinharem em uma exaustiva troca de empurrões e punhaladas que só tinham fim quando um dos lados se rendia. (Pág. 16, Gilbert)
A pérsia foi a grande rival da Grécia antiga. Ocorreu então várias guerras, mas a Grécia permaneceu apesar de algumas derrotas até que o império Persa foi dizimado aos poucos até a chegada de Alexandre como novo dominador da Ásia menor e parte dos Bálcãs e Índia.
A morte de Alexandre gera uma grande fragmentação do poder em vários estados e entre seus generais com o avanço de Roma pela Europa e Mediterrâneo. Roma, apesar de intensa guerra e brigas, domina a todo o Mediterrâneo e partes da Ásia e África e vira então o maior império da antiguidade, criando um modo de viver, uma cultura com base em troca, sendo a guerra um importante fator para incorporações e transformações de valores. O derrotado torna-se dependente do vitorioso no campo econômico, mas no campo cultural alguma coisa muda, mas de grosso modo, permanece um exemplo e a cultura dos judeus que, apesar de terem sido perseguidos durante toda a história, mantém uma forte cultura ligada à religião, que contribuiu para o modo religioso e a criação do cristianismo.
Roma passou de república para império e tornou-se um grande império graças ao seu modo de fazer guerra e suas grandes legiões, que dominavam um vasto território, tudo isso em um breve espaço de tempo.
Em um único século Roma deixou de ser uma cidadezinha provinciana para tornar-se a mais poderosa cidade da Itália, com ambições no exterior que alarmaram a vizinha Grécia. A destreza militar dos romanos se devia principalmente à organização de seus soldados em legiões e centúrias, o que lhes dava flexibilidade no campo de batalha e um método eficiente de fazer a guerra, algo entre a compacta falange e as espaçadas fileiras celtas. (Pág. 26, Gilbert)
O vale do rio amarelo na Ásia atual China era composto de vários reinos até a unificação da China em um império composto por um imperador. Para tal feito, eles necessitaram de proteção durante séculos e construiu-se então um muro, conhecido até hoje como a famosa muralha da China.
Aos poucos surge Sun Tzu, que contribui e muito para uma nova filosofia na guerra, criando regras que inovam o modo de fazer guerra na China. A idéia a seguir contribui para o artigo.
O desenvolvimento de exércitos e táticas na China deveu muito às lutas que irrompiam freqüentemente entre as comunidades de maioria étnica e as tribos bárbaras do norte, que costumava invadir e saquear sua vizinha mais rica. Conseqüências interessantes desse fenômeno, promovidos, sobretudo pela obra de Sun Tzu, foram uma filosofia associada com a guerra e o reconhecimento de política e estratégias mais abrangentes nesse sentido. (Pág. 38, Gilbert)
Posterior a era dos impérios do mundo antigo, a Europa fragmenta-se com a queda do império romano em 476 d.c com a invasão dos povos bárbaros vindos a procura de alimentos e melhores condições de vida. A única estrutura que funciona posterior à queda de Roma é a Igreja que permanece capaz de modificar a estrutura e nomear os reis futuros da Europa, criando um modo de vida baseado na servidão, surgindo o feudalismo. Com isso, grandes exércitos e legiões desaparecem e apenas iram voltar com Napoleão Bonaparte.
Porem a Idade Média foi um dos períodos de mais lutas na Europa. Surge o termo "cavaleiro" para nobres que defendiam os seus feudos de invasões indesejadas. O modo de fazer a guerra era diferente, porém a luta e a guerra permanecem, a cavalaria ganha então grande importância para a guerra medieval.
No ocidente, o império romano cai. No oriente o império bizantino permanece firme e forte por um bom tempo. Outro império cresce com sua força militar invadindo a península ibérica, o império islâmico. Porém é detido pela Espanha e Portugal e são expulsos da Europa. Os mouros influenciam, com sua cultura, toda a Espanha.
Abarcando cerca de mil anos de conflitos, desde o século V até o XV, a Idade Média foi um período em que o guerreiro montado, trajando armadura ou não, dominou os campos de batalha. Isso se aplica especialmente às sociedades guerreiros nômades provindos das estepes da Eurásia e da Ásia central, que tiveram uma vultosa influencia em sociedades sedentárias tão distantes uma das outras como a China o sul da Ásia, o Oriente Médio e a Europa Central. (Pág. 40, Gilbert)
Quando tudo parecia que a unificação iria demorar muito mais que o esperado entre os povos europeus surge o famoso império Carolíngio, unificando a atual França, parte da Áustria e Alemanha e Itália. Carlos Magno merece destaque nesta unificação. Carlos Magno derrotou os pequenos reinos belicosos e trouxe a sua região uma medida de paz que não se via desde os tempos romanos.
O pode era grande em torno dele, conquistando, com a ajuda da Igreja, forte poder sobre a Europa, tornando-se o grande imperador de um breve período.
Vale ressaltar que além da evolução de armaduras e escudos e espadas para a guerra, com melhores metais, está a evolução de fortificações para a proteção dos nobres. Grandes castelos fora erguidos e, graças a essas fortificações, foi possível a sobrevivência de reis e nobres.
A Igreja desempenha seu papel de grande cartório da Europa na idade medieval, mas provoca entre os nobres, à ira de invadir e tomar Jerusalém, lugares santos para o cristianismo. Foi desse modo que organizou as cruzadas.
Com o avanço de técnicas, estratégias e principalmente armas, que foi possível através desse último o aparecimento da pólvora e armas de fogo que revolucionaria o período.
Aparece varias guerras na Europa e principalmente entre França e Inglaterra, a guerra dos Cem Anos. Com a grande guerra do norte, onde os exércitos se profissionalizam, aparece também às primeiras guerras ameríndias contra os índios da America, a busca por território e poder era grande em nome de Deus ou mesmo de um rei.
Em meio à forte autoritarismo e crescimento econômico, surge a burguesia, com as idéias iluministas e ocorre a grande revolução, a famosa Revolução Francesa. Nesse momento vai surgindo, aos poucos, o famoso Napoleão Bonaparte, general que se tornaria cônsul por golpe e imperador da França que dominaria toda a Europa e inovaria na estratégia de guerra.
Para ajudar o período foi marcado com a revolução americana e o processo de independência das Américas graças às idéias iluministas que proporcionaram a libertação da América do domínio político das metrópoles. Napoleão cai na campanha da Rússia e por ultimo na batalha de Waterloo.
A guerra civil americana faz com que os Estados Unidos se dividem entre norte e sul. Para o predomínio do poder econômico, o norte ganha e começa ai o expansionismo americano para oeste.
O século XIX foi um período transicional extremamente sangrento no campo bélico. No intervalo de cem anos entre a batalha de Waterloo, em 1815, e o inicio da primeira Guerra Mundial, os conflitos militares se desenvolveram mais rápido e dramaticamente do que em qualquer século anterior. Conforme novos avanços tecnológicos se difundiram e a Revolução industrial se impôs, mudanças na artilharia no transporte, nas comunicações e na construção naval alteraram completamente a face da guerra ao redor do mundo. (Pág. 180, Gilbert)
O poder volta a falar alto na Europa na unificação italiana e alemã. A guerra naval ganha força e guerras pulverizam-se no mundo, pequenas ou grandes. Na América, vemos a guerra hispano-americana. Também temos a guerra dos Bôeres, rebelião dos Boxers, e no começo do século XX ocorre a Guerra Russo Japonesa, que provocaria mais tarde revoluções no império Russo e o primeiro Estado socialista. O poder mudava na Rússia e incentivaria grandes mudanças.
De 1914 a 1918 acontecia o grande conflito do começo do século, a Primeira Guerra Mundial, que abalaria o mundo como vemos e mudaria políticas, tanto militares, como econômicas, no decorrer das décadas posteriores.
O mundo de 1750 a 1914 era um mundo de impérios. Até o começo do século vinte, o poder estava concentrado nas mãos de poucos e poucas democracias existiam até então. A seguir a idéia imprime o que foi dito.
As revoluções americanas e francesa mudaram as expectativas políticas do ocidente. Embora os resultados tenham sido contraditórios - os EUA surgiram como uma democracia em pleno funcionamento, enquanto à França ficou desestabilizada por quase um século -, a demanda pela liberdade política persistiu durante todo o séc. XIX. Uma onda de levantes nacionalistas trouxe à independência para grande parte da América Latina e a unificação da Itália e da Alemanha. Em outros países, entretanto, nações coloniais continuaram a dominar grande parte do mundo, impedindo o desenvolvimento político local. Mesmo regiões independentes, como China e Japão, sofreram intervenções ou interferências das potências européias. (Pág. 258 - 259, Philip Parker)
A origem da primeira guerra mudaria o mapa global. As origens da guerra são duas: as midiáticas, que estão nos bastidores do império austro-húngaro, que geraria a morte do arquiduque Francisco Ferdinando, mas por outro ponto as questões mais amplas do conflito foram à rivalidade nacionalista que havia desenvolvido na Europa durante o século XIX.
A "Grande Guerra" como era conhecida foi o maior conflito até a segunda guerra, porém foi a pedra inicial da Segunda Guerra Mundial, mudando o modo de poderes no mundo. Com a vitória da França, foi criado o tratado de Versalhes, que impunha regras e condições aos derrotados e à Alemanha. No campo tecnológico muito evoluiu, surgindo armas inovadoras e empregando a aeronáutica na guerra. Aviões em combate foram, pela primeira vez, usados num grande conflito.
Em 1929, com a quebra a bolsa de valores de Nova York, a Europa e o mundo em crise provoca, na política, o surgimento de um uma política nacionalista autoritária de direita e faz nascer o Fascismo e o Nazismo.
O Nazismo representado na figura de Adolf Hitler faria que Alemanha crescesse como grande potência do período, criando uma máquina de guerra capaz de dominar a Europa e aterrorizar o mundo capitalista. No campo militar, as armas evoluíram e as estratégias mudaram. A força aérea recebe forte importância e a força naval passa a contar ainda mais com submarinos que aterrorizariam o oceano atlântico.
Mas, mesmo com forte força militar e política a Alemanha, Japão e Itália são derrotados os Estados Unidos que se transforma na grande potência da segunda metade do século XX, criando uma cultura e um poder baseado no dinheiro e no consumo. Outra potência no pós-guerra é a URSS, baseada no socialismo. Surge a chamada Guerra Fria no mundo, com conflitos espalhados e financiados pelas duas potencias o mundo, dividido até a queda do muro de Berlim, quando os Estados Unidos foi o campeão dessa corrida armamentista e impôs seu poder no mundo contemporâneo em definitivo. O avanço tecnológico das ultimas décadas pós-guerra foi enorme. Surgem novas potências em desenvolvimentos nas duas últimas décadas e duas guerras marcariam a ultima década, provocada por uma nova ameaça o terrorismo.
As democracias ocidentais têm sido tradicionalmente alvo de grupos terroristas, sejam extremistas árabes organizações de esquerda (freqüentemente apoiada por regimes comunistas) ou nacionalistas violentos. Em seus esforços por alcançar metas muitas vezes extravagantes, tais grupos recorreram a raptos seqüestros e assassínios, com resultado no mais das vezes horrendas. A resposta foi a formação de unidade de elite para combater grupos terroristas. (Pág. 290, Gilbert)
Bem, percebe-se que com o fim da Guerra Fria, muitos acreditariam que haveria paz no mundo contemporâneo. Essa visão tão simplória não ocorreu e sim persistiram vários conflitos pelo mundo e a proliferação de armas nucleares e químicas só veio a agravar a instabilidade mundial. Nesta última década, o Oriente Médio permanece uma das áreas mais conturbadas pela guerra em todo o mundo, assolada por conflitos étnicos e religiosos e alvo dos interesses das grandes potências globais.
Por fim, percebe-se que a guerra tem uma grande importância no mundo atual e antigo. No passado, para impor modos civilizações e impérios e no futuro para impor um modo capitalista global em que a democracia pode torna-se uma faca de dois gumes. O mais prejudicado, em qualquer guerra, é o povo que foi e permanece sendo explorado por reis, nobres, elites, e poderes econômicos. Vemos que a guerra desempenha um papel de grande importância, sendo um instrumento final de uma negociação, e que provoca fatores de mudanças por onde passa.
BIBLIOGRAFIA
GILBERT, Adrian. Enciclopédia das Guerras: Conflitos Mundiais Através dos Tempos. São Paulo: M. Books, 2005.
PARKER, Philip. Historia Mundial: Guia Ilustrado Zahar. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.
*Bruno Pereira é historiador e membro do IHGG - Instituto Histórico de São José do Rio Preto - SP. Blog: http://historiabruno.blogspot.com

Pravda.ru

Pastores pela Paz, duas décadas de solidariedade a Cuba

 

                      
Waldo Mendiluza
Granma
Neste ano, a Caravana da Amizade Estados Unidos-Cuba completa duas décadas de ação solidária e desafio ao bloqueio imposto por Washington à Ilha, há mais de meio século. Conhecida popularmente como a Caravana dos Pastores pela Paz, a partir do papel desempenhado por essa entidade religiosa norte-americana na organização, coleta e transferência da ajuda humanitária para a nação caribenha, está em andamento a 23a edição desta iniciativa de desafio ao poder imperial de Washington.
Após percorrer 80 cidades dos Estados Unidos, ativistas desse país, junto a cidadãos da Alemanha, Canadá, México e Reino Unido trazem à Ilha meios destinados, entre outros setores, à saúde e à educação, dois dos mais abalados pelo bloqueio. Cadeiras de rodas, medicamentos, equipamentos de primeiros auxílios, material escolar e implementos esportivos são alguns dos produtos doados por comunidades do país do norte para Cuba, onde o cerco imposto pela Casa Branca deixou perdas superiores aos US$ 975 bilhões, segundo dados oficiais.
Dezenas de toneladas de artigos de alta demanda na sociedade chegaram graças ao projeto fundado, em 1992, pelo reverendo estadunidense Lucius Walker, que morreu em setembro de 2010.
A nova edição da Caravana da Amizade permitirá, precisamente, render homenagem a Walker e a outros ativistas, que protagonizaram, durante as duas últimas décadas, o empenho de romper o bloqueio norte-americano.
"Trata-se dum projeto de sólida inspiração cristã e evangélica, embora arraste pessoas de boa vontade, independentemente de suas crenças religiosas", destacou em declarações à Prensa Latina Joel Suárez, coordenador-geral do Centro Memorial Martin Luther King, uma das entidades vinculadas em Havana aos caravanistas.
"Quando o reverendo Walker começou as caravanas, seu propósito era superar o entramado de leis e regulações, que formam o bloqueio estadunidense contra Cuba, uma política antievangélica e agressiva com um severo impacto social na Ilha", disse.
"Não queriam pedir licença, porque eles (Pastores pela Paz) cumpriam um dever evangélico e cristão, um mandato divino de Deus, e nada podia impedir o objetivo de trazer ajuda humanitária a um país assediado", apontou.
Devido ao bloqueio, no território estadunidense, não pode ser realizada ação alguma a respeito de Cuba - como viagens, trocas e outras - que não impliquem a emissão duma licença do Gabinete de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, por suas siglas em inglês).
Cravanas da amizade, a história
A entidade Pastores pela Paz nasceu em 1988, como um projeto da Fundação Inter-religiosa para a Organização Comunitária (IFCO, por suas siglas em inglês) em resposta à agressividade na América Latina, e em particular na América Central, da administração do presidente estadunidense Ronald Reagan.
O então diretor da IFCO, Lucius Walker, foi ferido junto a outras 28 pessoas, e duas perderam a vida, durante um ataque terrorista contra a Revolução Sandinista na Nicarágua, em 2 de agosto de 1988. Um dia depois, Walker criou os Pastores pela Paz, organização que teve na própria Nicarágua suas principais atividades de desafio à política de ingerência de Washington na região.
Desde aquele momento, as caravanas constituíram uma das principais ações da entidade religiosa, a primeira delas na véspera do Natal de 1988, para levar ao povo nicaraguense 18 veículos e 70 toneladas de ajuda humanitária.
Após a derrota dos sandinistas, nas eleições de 1990, Pastores pela Paz dirigiu suas iniciativas pacifistas e de solidariedade a Cuba, país vítima da agressividade da Casa Branca, postura expressa num bloqueio econômico comercial e financeiro, evidente quase a partir do próprio triunfo da Revolução, em 1o de janeiro de 1959.
Em 1992, começaram as Caravanas Estados Unidos-Cuba, projeto contra o bloqueio, materializado em coordenação com o Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP).
Uma centena de caravanistas levaram à Ilha, em seu primeiro périplo, 15 toneladas de artigos, como leite em pó, medicamentos, bíblias, bicicletas e material escolar. Lideradas pelo pastor Walker, as caravanas retornaram com uma frequência quase anual e, às vezes, até mais de uma vez em 12 meses, com sua ajuda solidária.
A resposta do governo dos Estados Unidos foi reter carregamentos ou obstaculizar sua chegada a Cuba, além das ameaças de multa aos ativistas.
Greves de fome, manifestações e a solidariedade dentro da própria nação do norte e na comunidade internacional obrigaram Washington, uma e outra vez, a permitir a passagem dos caravanistas estadunidenses, aos quais, com o tempo, aderiram pessoas do Canadá, México e a Europa.
Pastores pela paz, o compromisso
Para Joel Suárez, os Pastores pela Paz representa uma prova de compromisso com as causas justas e de apego aos princípios evangélicos.
Nesse sentido, lembrou momentos vividos pelos caravanistas em sua luta por desafiar o bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba e revelar o impacto da política de bloqueio norte-americano na sociedade da Ilha caribenha.
"Vêm à minha mente - expôs - as semanas de greves e protestos, de 1993 e 1996, quando o governo estadunidense ocupou um dos ônibus escolares e computadores incluídos nas doações para Cuba".
Durante a caravana de 1993, oficiais do Departamento do Tesouro confiscaram um ônibus amarelo, no cruzamento fronteiriço de Laredo, Texas, sob o argumento de que "Fidel Castro podia utilizá-lo como um veículo militar".
Os 13 ativistas a bordo desse ônibus decidiram ficar nele até sua libertação, começando uma greve de fome que durou 23 dias.
Uma mobilização internacional em 20 cidades, ligações e mensagens a Washington e um protesto em frente da Repartição de Interesses de Havana conseguiram a devolução do veículo.
Três anos depois, a sexta caravana transportou 400 computadores destinados a potencializar em Cuba uma rede para a troca entre médicos e especialistas da saúde.
O governo dos Estados Unidos confiscou, nas fronteiras de San Diego, todos os equipamentos, medida que gerou novos protestos dos ativistas e a solidariedade com sua causa.
As ações de recusa à confiscação dos computadores se moveram de San Diego a Washington D.C, até que, 94 dias depois, as pressões sobre as autoridades do norte obrigaram à entrega desses meios.
"Walker e outros membros de Pastores pela Paz mostraram uma grande firmeza a qual, inclusive, custou, de maneira direta ou indireta, a vida de alguns ativistas, vítimas das sequelas das greves", assinalou Suárez.
Para o coordenador do Centro Memorial Martin Luther King, o reverendo e seus companheiros merecem uma homenagem permanente, por sua solidariedade e defesa de princípios cristãos, como a misericórdia e a solidariedade, acima de qualquer barreira humana.
"Temos hoje em Cuba testemunhas viventes da presença permanente de Lucius Walker e daqueles que o seguiram e seguem nas caravanas de Pastores pela Paz", expôs.
"Os ônibus escolares amarelos - trazidos pelos Pastores - com seus graffitis, cores e consignas são uma testemunha vivente do desafio a essa política antievangélica representada pelo bloqueio", sentenciou.
Foto: O desaparecido reverendo Lucius Walker cumprimenta o comandante-em-chefe Fidel Castro, após protagonizar uma das ações de desafio das Caravanas da Amizade EUA-Cuba.

Pravda.ru

FARC afirma que sairá de Cauca se o Exército, a polícia e paramilitares sairem

 



Bogotá, (Prensa Latina) O máximo chefe das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Rodrigo Londoño Echeverry, codinome Timoleón Jiménez, anunciou que se o Exército, a polícia e os paramilitares saírem do Cauca, a guerrilha sairá também. Se na Colômbia acabam as operações militares, os bombardeios e assassinatos, as emigrações forçadas de deslocados, o despojo da terra, os crimes contra o povo e a impunidade, não fará sentido a existência da guerrilha, assegura.
Assim o expressa em um comunicado dirigido à Associação de Cabidos Indígenas do Cauca, datado 20 de julho nas montanhas dessa região do sudoeste do país e publicado na página das FARC-EP.
Nós achamos que o Exército deve sair não só das comunidades indígenas, senão de todo o campo colombiano, declara.
A missão natural é guarnecer as fronteiras em defesa da soberania nacional, expõe, mas as classes dominantes converteram o Exército em uma máquina a serviço de poderosos interesses estrangeiros, dirigida diretamente por generais estadunidenses.
Em resposta às demandas das comunidades autôctonas que exigem às FARC não usar as armas, pondo em risco a população civil, Jiménez explica:
"Nós somos uma população civil à qual a violência estatal e paramilitar obrigou a se levantar. Jamais poderíamos nutrir a ideia de afetar gente inocente", declara. "Nisso compartilhamos completamente e temos plena disposição para evitar que aconteça. Mas o que fazer com as forças terroristas de ocupação?", pergunta.
"As FARC, argumenta, não estão integradas por soldados assalariados nem recrutas, mas sim por gente singela do povo da Colômbia; camponeses, indígenas, negros e mestiços que decidimos enfrentar a agressão com as armas".
O problema de vocês, agrega, não pode ser examinado só a partir do aspecto da presença do exército ou da guerrilha em certas regiões, "porque como diz (presidente Juan Manuel) Santos, o Exército jamais vai abandonar suas bases".
Ao invés, sua presença encarna, explica Jiménez, um modelo de dominação nacional, continental, de aspirações mundiais.
O que há de fazer é derrotar esse modelo, e para isso começar pela mudança de regime, manifesta. É nossa luta e a de milhões de colombianos. O assunto agora é unir forças, não separar, ressalta o líder guerrilheiro.
Depois de expressar que as FARC-EP sentem um sincero respeito pela oposição dos indígenas ao uso da violência como mecanismo de luta, afirma que "em uma humanidade civilizada, alheia aos interesses de classe, seguramente tal pretensão seria generalizada".
Mas não é menos verdadeiro, acrescenta, que as realidades da Colômbia, governada secularmente por uma casta violenta e agressora, terminaram por produzir a resposta digna dos de abaixo.
Essa também é uma forma respeitável de luta, que não pode ser condenada logo no começo sem apagar de supetão a história e chegar aos limites da utopia, explica o texto.
Compartilhamos completamente todas as aspirações das comunidades indígenas e, de fato, as estamos apoiando e com isso arriscando nossa própria vida, mas a força dos fatos históricos demonstra também que os indígenas não são as únicas comunidades violentadas e perseguidas na Colômbia, propõe.
Em todo o país cresce um barulhento clamor pela paz, por uma saída política do confronto. Essa tem sido entre todas, a mais velha de nossas bandeiras, afirma o chefe guerilheiro.
É o regime, reflexiona, que jamais se prestou a acabar com sua preferência pela violência e abrir um diálogo.
Vocês, que sofrem mais que nunca com o estilo característico de responder na Colômbia às aspirações de paz, são bem-vindos a trabalhar por ela, sublinha.
Foto: Rodrigo Londoño Echeverry, codinome Timoleón Jiménez

Fonte: Pravda.ru

Não será julgado o mensalão, mas José Dirceu


A definição da data inicial do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal teve um gostinho de vitória para as famílias Marinho, Civita, Frias e Mesquita, bem como para o PSDB e o DEM. A aliança entre esses impérios de comunicação e partidos políticos tateia, há quase uma década, em busca de um feitiço que lhe permita recuperar o poder perdido.
De 2002 para cá, ainda que tenha conservado o poder de interferir na agenda pública, a direita midiática perdeu o poder sobre a definição de políticas públicas e de utilização de verbas. Com isso, apesar da manutenção da influência, na prática o que partidos e órgãos de imprensa perderam foi, simplesmente, dinheiro.
Em termos eleitorais, o julgamento do mensalão é uma benção para essa força política decadente. É possível sonhar com uma devastação eleitoral e de imagem não só do PT, mas, sobretudo, de Luiz Inácio Lula da Silva, que, nos últimos dez anos, converteu-se no carrasco das forças conservadoras ao, não se limitando a vencer eleições, gerar vitórias eleitorais de seus correligionários.
Contudo, por mais que a marcação da data do julgamento do mensalão revele suscetibilidade do STF às pressões midiáticas, existe uma possibilidade imensa de a vitória de hoje se transformar em derrota amanhã. Isso porque o julgamento inteiro do mensalão depende da condenação inequívoca de um só dos seus 38 acusados: José Dirceu.
Se os outros 37 réus forem condenados e Dirceu for absolvido, mídia, PSDB e DEM terão sido derrotados. E o que é pior: ressurgirá no cenário político aquele que deveria ser hoje o presidente da República se não tivesse tido os seus direitos políticos cassados.
Por alguma razão que ainda não ficou muito clara, a direita considera Dirceu muito “pior” do que Lula para si. Guerrilheiro de décadas atrás, treinado em combates físicos em Cuba, era e continua sendo considerado o grande artífice da remodelação ideológica que levou o PT ao poder.
Um José Dirceu reabilitado politicamente aos 66 anos significaria, também, possibilidade concreta de ele assumir algum importante cargo público no governo Dilma Rousseff ou, por exemplo, eleger-se senador por São Paulo em 2014, voltando a influir decisivamente na política.
Não se engane, leitor: poder para Dirceu significaria, sem sombra de dúvida, uma ameaça às famílias midiáticas. Conforme o ex-ministro de Lula declarou mais de uma vez, a grande agenda do Brasil nos próximos anos será a diluição da concentração de poder em mãos de meia dúzia de famílias controladoras de impérios de comunicação. Essa declaração jamais será esquecida.
Dirceu, hoje, é tratado como culpado pela mídia e pelos adversários políticos declarados. Não se encontrará um só texto jornalístico da grande imprensa em que se conceda a ele a realidade, ou seja, de que continua inocente até que seu processo tenha transitado em julgado. O que seus inimigos políticos fariam da vida se ele fosse absolvido?
Podem condenar os outros 37 réus, portanto. Se Dirceu for absolvido, o que Globo, Folha, Estadão e Veja disseram antes será alvo de desmoralização e a sensação de vitória do PT e de Lula será inevitável. Caso contrário, o maior partido e o maior líder político brasileiros dividirão a derrota com os condenados e os prejuízos político-eleitorais entre si.
A boa notícia para Lula, para o PT e para o próprio Dirceu é a de que, à luz do melhor direito, inexiste uma só prova contra esse político controverso. Mesmo se for culpado – o que ninguém pode confirmar ou negar –, se houver um julgamento justo ele terá que ser absolvido.
Se isso não ocorrer, José Dirceu terá sofrido condenação política por um tribunal que deveria se pautar estritamente por critérios técnicos.
Eis, portanto, o dilema em que se debaterá o Brasil em pleno processo eleitoral. A condenação de Dirceu seria um verdadeiro estupro do Estado de Direito que transformaria o Brasil em uma ditadura midiática em que inimigos de meia dúzia de famílias podem ser linchados. Já sua absolvição contra todas as pressões, consolidará a democracia no Brasil.
Não é pouco o que está em jogo neste ano.

Blog da Cidadania