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quinta-feira, 17 de maio de 2018

Venezuela próxima à verdade nas urnas

Caracas, 17 mai (Prensa Latina) A campanha eleitoral à presidência da Venezuela chega hoje a seu último dia, preâmbulo do encontro marcado deste povo com a história, no domingo dia 20 de maio.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

O "Golpe de Mestre" dos Estados Unidos contra a Venezuela (Documento do Comando Sul)

14.05.2018
O
O "Golpe de Mestre" dos Estados Unidos contra a Venezuela (Documento do Comando Sul)
Stella Calloni
As negociações em torno da península de Coreia e a retirada norte-americana do acordo sobre o programa nuclear iraniano (JCPOA ou Acordo dos 5+1) não devem interpretar-se como um reposicionamento das Forças Armadas dos Estados Unidos. Sem importar que Administração esteja no Poder em Washington, o Pentágono segue em frente com o seu plano de domínio à escala mundial. Stella Calloni revela que o SouthCom (o tristemente célebre "Comando Sul") tem planificada uma operação militar contra a Venezuela, antes da eleição presidencial de 20 de Maio. Baseando-se num documento interno do Pentágono, Stella Calloni põe a nu a implicação da Argentina, Colômbia, Brasil, Guiana e Panamá nesse projecto de derrube de um Poder democrático, nascido do voto popular. É um plano de destruição de toda uma sociedade. As Forças Armadas dos Estados Unidos estão de volta contra os povos na América Latina.

Panamá, Colômbia, Brasil, Guiana são pontos-chave da operação militar, com o apoio da Argentina e de «outros amigos», sob controle do Pentágono. Já têm preparadas nas bases que ocuparão, nos países de apoio directo (fronteiriços), até hospitais e centros de provisão de víveres para os seus soldados.Os Estados Unidos e seus sócios preparam em silencio um brutal «Plano para acabar com a ditadura da Venezuela»: o «Golpe de Mestre» («Masterstroke») [1], que já está em marcha e cuja primeira parte começaria antes das próximas eleições venezuelanas e que, se não tiverem êxito em derrubar o Presidente Nicolás Maduro com a nova ofensiva, que utilizará todo o aparelho propagandístico e mediático mais acções violentas em «defesa da democracia», acionarão o Plano B, o qual incluirá vários países impondo uma «força multilateral» para intervir militarmente.
Tudo isso aparece especificado num documento real, de 11 páginas, que leva a assinatura do Almirante Kurt Walter Tidd, actual Comandante-em-chefe do Comando Sul [SouthCom] norte-americano, documento ainda não divulgado.
O documento analisa a situação actual ratificando a guerra que se trava contra a Venezuela, mas também o preverso esquema de guerra psicológica que permite entender a perseguição, o assédio, o descrédito, a mentira criminosa que se utilizam para acabar não só com as líderanças populares mas também contra os povos da região.
Ao referir-se à situação actual na Venezuela, o Plano menciona que titubeia a «ditadura venezuelana chavista como resultado dos seus problemas internos, da grande escassez de alimentos, do esgotamento das fontes de dinheiro externo e de uma corrupção desenfreada, que diminuiu o apoio internacional, ganho com petrodólares, e que o valor da moeda nacional dura pouco tempo e o poder aquisitivo da moeda nacional está em queda constante».
Assumem que este cenário, que admitem ter criado eles próprios, com uma impunidade que aterra, não mudará. Assim, justificam as suas acções afirmando que o governo venezuelano recorrerá a novas medidas «populistas» para conservar o Poder.
Assombra o lugar em que colocam a oposição que os próprios Estados Unidos manejam, aconselham e pagam, ao assumir que «o corrupto regime de Maduro colapsará, mas lamentavelmente as forças opositoras, defensoras da democracia e do bem-estar do seu povo, não têm poder suficiente para pôr fim ao pesadelo da Venezuela» por disputas internas e até por «corrupção semelhante à dos seus rivais, bem como a escassez de raízes» que não lhes permite tirar «o máximo proveito desta situação e dar o passo necessário para ultrapassar o estado de penúria e a situação precária em que o grupo de pressão que exerce a ditadura de esquerda submergiu o país».
O que é aterrador é que embora considerem que se está perante «uma ação criminosa sem precedentes na América Latina», referindo-se ao governo da Venezuela -um governo que nunca actuou contra nenhum dos seus vizinhos e que tem sido de uma forte solidariedade regional e mundial-, o Plano norte-americano sustenta que a «democracia avança na América, continente no qual o populismo radical estava destinado a tomar o controle». Argentina, Equador e Brasil são exemplos disso. «Este renascimento da democracia (como a chamam) é apoiado pelas mais valiosas determinações e as condições da região estão a seu favor. Este é o momento para que os Estados Unidos provem, com acções concretas, que estão empenhados nesse processo, no qual o derrube da ditadura venezuelana seguramente representará um ponto de inflexão continental».
Por outro lado, eles encorajam o Presidente dos EUA, Donald Trump, a agir considerando que «esta é a primeira oportunidade da Administração Trump para demonstrar e levar avante a sua visão de democracia e segurança» e convencê-lo de que «a sua participação activa é crucial, não apenas para a Administração, mas, também para o continente e o mundo. Chegou o momento».
Isso significa «intensificar o derrube definitivo do chavismo e a expulsão do seu representante, minar o apoio popular» ao governo e
«Incentivar a insatisfação popular, aumentando o processo de desestabilização e de falta de abastecimento» [para] «garantir a deterioração irreversível do seu actual ditador».
Se alguém quiser entender a fundo a arte da perversão contra-insurgente basta ler a parte em que o documento se refere ao Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, encorajando a «assediá-lo, ridicularizá-lo e mostrá-lo como um símbolo de torpeza e incompetência, expô-lo como uma marionete de Cuba».
Mas também sugerem :
«Exacerbar a divisão entre os membros do grupo do governo, revelando as diferenças das suas condições de vida e dos seus seguidores e, ao mesmo tempo, incitando-os a manter essas divergências em crescendo».
O plano está destinado a ser executado rápida e furiosamente, tal como as medidas tomadas pelos mordomos de Washington, Mauricio Macri (Argentina) e Michel Temer (Brasil), ambos com uma história escandalosa de corrupção, mas transformados pelo Império em «líderes da transparência» que tomaram medidas, em horas, para a destruição dos Estados nacionais com tanta certeza como a do disparo de um míssil.
O documento assinado pelo Chefe do Comando Sul norte-americanos demanda tornar o governo de Maduro insustentável, forçando-o a claudicar, negociar ou escapar. Este Plano para acabar em curtíssimo prazo com a chamada «ditadura» da Venezuela, apela a:
«Incrementar a instabilidade interna para níveis críticos, intensificando a descapitalização do país, a fuga de capitais estrangeiros e a deterioração da moeda nacional, mediante a aplicação de novas medidas inflacionárias que incrementem essa deterioração».
Outro objectivo é
«obstruir todas as importações e ao mesmo tempo desmotivar os possíveis investidores estrangeiros»
para -e vejam a bondade do Império-
«contribuir para tornar mais crítica a situação da população».
Também abarca o Plano nas suas 11 páginas
«apelar a aliados domésticos, assim como a outras pessoas inseridas no cenário nacional, com o objectivo de gerar protestos, distúrbios e insegurança, pilhagem, saques, roubos, assaltos e sequestros de navios e de outros meios de transporte, com a intenção de cortar o abastecimento do país, através de todas as fronteiras e de outras maneiras possíveis, pondo em perigo a segurança nacional dos seus vizinhos».
Consideram importante «causar vítimas» e apontar como responsável o governo da Venezuela «ampliando, perante o mundo, a crise humanitária a que está submetido o país», usando a mentira de uma corrupção generalizada dos governantes e «ligar o governo ao narcotráfico para desacreditar a sua imagem perante o mundo e os seus seguidores internos», além de promover «o cansaço entre os membros do PSUV» [Partido Socialista Unificado da Venezuela] «incitando a discórdia entre eles próprios, para que rompam ruidosamente as relações com o governo e para que rechacem as medidas e restrições que também os afectam» e torná-los «tão débeis quanto a oposição, criando fricções entre o PSUV e Somos Venezuela».
A proposta vai aumentando de tom como quando apela a
«estruturar um plano para lograr a deserção dos profissionais mais qualificados do país, para o deixá-los totalmente sem profissionais, o que agravará ainda mais a situação interna e neste sentido culpar o governo».
A mão militar

Como numa série policial, este Plano apela para «utilizar os oficiais do exército como uma alternativa de solução definitiva» e
«continuar endurecendo a situação dentro das Forças Armadas para levar a cabo um Golpe de Estado, antes que finalize 2018, se esta crise não levar a que a ditadura colapse, ou se o ditador não se decide afastar-se».
Supondo que todo o exposto pode falhar, e com evidente desprezo pela oposição venezuelana, o Plano apela a «continuar o fogo contínuo na fronteira com a Colômbia, multiplicar o tráfico de combustível e outros bens, o movimento dos paramilitares, incursões armadas e tráfico de drogas, provocando incidentes armados com as forças de Segurança da Fronteira» venezuelana e além disso a
«recrutar paramilitares principalmente dos campos de refugiados em Cúcuta, La Guajira e Norte de Santander, áreas sobretudo habitadas por cidadãos colombianos que emigraram para a Venezuela e que agora retornaram, fugindo do regime que intensificou a desestabilização das fronteiras entre os dois países, usando o espaço vazio deixado pelas FARC [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia], a beligerância do ELN [Exército de Libertação Nacional (Colômbia)] e as actividades na área do Cartel do Golfo (paramilitares)».
Aqui vem a estruturação do golpe final quando se planeia
«preparar o envolvimento de forças aliadas, em apoio aos oficiais do exército venezuelano, ou para controlar a crise interna no caso em que se demore muito a iniciativa (...) estabelecer um cronograma rápido que previna que o ditador continue ganhando o controle no cenário interno. Se necessário fôr, actuar antes das eleições estipuladas para o próximo mês de Abril».
Na realidade, essas eleições serão a 20 de Maio e desde já os Estados Unidos, e os seus comparsas, fizeram saber que não as reconhecem.
O cerne da questão é
«Obter o apoio e cooperação das autoridades aliadas de países amigos (Brasil, Argentina, Colômbia, Panamá e Guiana). Organizar as provisões das tropas, apoio logístico e médico desde o Panamá. Fazer bom uso das instalações de vigilância eletrônica e de sinais inteligentes; de hospitais e instalações existentes em Darién (selva panamenha), do equipamento de drones do Plano Colômbia, bem como dos terrenos das antigas bases militares de Howard e Albroock (Panamá), bem como as pertencentes ao Rio Hato. Além disso do Centro Regional Humanitário das Nações Unidas, projectado para situações de catástrofe e emergência humanitárias, que conta com uma pista de aviação (aterrissagem-br) e armazéns próprios».
Como vemos, já se trata de um cenário de intervenção onde se propõe
«Avançar no estacionamento de aviões de combate e helicópteros, veículos blindados, posições de inteligência e unidades militares de logística especiais (polícia, oficiais militares e prisões) (...)
«Desenvolver a operação militar sob bandeira internacional, patrocinada pela Conferência dos Exércitos Latino-Americanos, sob a protecção da OEA e a supervisão, no contexto jurídico e mediático, do Secretário-Geral [da OEA] Luis Almagro».
«Declarar a necessidade de o Comando Continental fortalecer a acção, usando o instrumento do Capítulo Democrático Inter-americano, com o objectivo de evitar a ruptura democrática».
E ainda mais
«Unindo o Brasil, Argentina, Colômbia e Panamá afim de contribuir para o número apropriado de tropas, fazer uso da sua proximidade geográfica e experiência em operações em regiões de floresta ou de selva. Fortalecendo o seu status internacional com a presença de unidades de combate dos Estados Unidos e das nações mencionadas; sob o comando geral do Estado-Maior Conjunto liderado pelos Estados Unidos».
Assombra a impunidade com que tudo se está preparando nas costas dos povos, em absoluta ilegalidade. E, isto torna compreensíveis as recentes manobras militares dos Estados Unidos nesta região na fronteira do Brasil com a Venezuela (Brasil, Peru, Colômbia), no Atlântico Sul (Estados Unidos, Chile, Grã-Bretanha, Argentina), no caso argentino sem autorização do Congresso Nacional, de Outubro a Novembro passado.
«Usando as instalações do território panamenho (panamense-br) para retaguarda e as capacidades da Argentina pela segurança dos seus portos e posições marítimas (...)  Propor ao Brasil e à Guiana fazer uso da situação migratória, a qual pretendemos incentivar na fronteira com a Guiana.
 Coordenar o apoio à Colômbia, Brasil, Guiana, Aruba, Curaçao, Trinidad e Tobago e outros Estados frente ao fluxo de migrantes venezuelanos devido aos eventos da crise
».
Mas além disso, prevê-se
«Promover a participação internacional neste esforço como parte da Operação Multilateral com contribuição de Estados, de organizações não estatais, e organismos internacionais, e fornecer logística adequada, inteligência, apoios, antecipando especialmente os pontos mais valiosos em Aruba, Puerto Carreño, Inirida, Maicao, Barranquilla e Sincelejo na Colômbia, e Roraima, Manaus e Boavista no Brasil».
Incrível mapa de uma guerra de intervenção anunciada.
Informação estratégica
É assombroso o plano para silenciar «o simbolismo da presença da representatividade de Chávez e o apoio popular» e manter o assédio «ao ditador como único responsável da crise em que ele mergulhou a nação», e os seus mais próximos seguidores, a quem se acusará da crise e da impossibilidade de sair da mesma.
Noutro parágrafo apela-se a
«intensificar o descontentamento contra o regime de Maduro (...) assinalar a incompetência dos mecanismos de integração criados pelos regimes de Cuba e da Venezuela, especialmente a ALBA (Aliança Bolivariana dos Povos da Nossa América) e a Petrocaribe».
Quanto ao tema mediático, o plano desenhado pelos Estados Unidos apela a incrementar dentro do país, através dos meios de comunicação locais e estrangeiros, a disseminação de mensagens desenhadas e baseadas em depoimentos e publicações originadas no próprio país, fazendo uso de todas as capacidades possíveis, incluindo as redes sociais, e, por outro lado, «apelar através dos meios de comunicação para a necessidade de pôr fim a essa situação porque é, em essência, insustentável».
Num dos últimos parágrafos do documento, trata-se de «assegurar» ou mostrar o uso de meios violentos por parte da «ditadura» para obter apoio internacional, utilizando
«todas as capacidades de Guerra Psicológica do Exército dos Estados Unidos».
Por outras palavras, repetindo os mesmos cenários de mentiras, armados de notícias, fotografias e vídeos falsos, e tudo o que já foi usado nas guerras coloniais do século XXI.
O documento também assinala igualmente que «os Estados Unidos deverão apoiar internamente os Estados americanos que o apoiam», elevar a imagem destes e da «ordem multilateral de instituições do sistema inter-americano, como instrumentos para a solução dos problemas regionais. Promover a necessidade do envio da Força Militar da ONU para imposição da paz, uma vez que a ditadura corrupta de Nicolás Maduro seja derrubada».+
Tradução
Alva
      
[1] «Plan to overthrow the Venezuelan Dictatorship - "Masterstroke"», Almirante Kurt W. Tidd, Voltaire Network 23 de febrero de 2018.
Fonte : "O "Golpe de Mestre" dos Estados Unidos contra a Venezuela (Documento do Comando Sul)", Stella Calloni, Tradução Alva, Rede Voltaire, 13 de Maio de 2018, www.voltairenet.org/article201130.html
Foto
O Almirante Kurt W. Tidd, Comandante-em-chefe do Comando Sul norte-americano (SouthCom)

Brasil pode sofrer prejuízo com tensão entre EUA e Irã

Publicado por: Redação Irã News 
Autor: 
Publicada em 12/05/2018 às 09:51
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© AP Photo / Ebrahim Noroozi
Na terça-feira (8) o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a saída de seu país do Plano Conjunto de Ação Integral (JCPOA), também conhecido como acordo nuclear iraniano. Apesar da distância, a economia pode trazer impactos dessa tensão sobre o Brasil. A Sputnik ouviu uma especialista que explicou como isso pode acontecer.
A saída dos Estados Unidos do acordo repercutiu mundo afora, com reflexos diplomáticos de primeira grandeza. Países considerados parceiros dos EUA, como Alemanha, Reino Unido e França, emitiram declarações negativas sobre a atitude do presidente estadunidense.
O acordo foi assinado em 2015, e apontado como o fim de uma crise diplomática em torno do programa nuclear do Irã. Em troca da diminuição gradual de sanções econômicas sobre o país, Teerã concordou em reduzir seu programa nuclear e permitir livre a acesso de inspeções internacionais rigorosas de suas instalações científicas. As inspeções seriam uma forma de aferir se o programa manteve um desenvolvimento pacífico.O Irã tem hoje uma das maiores reservas de petróleo do mundo, o que o coloca em uma posição importante na decisão do preço desse mineral, ainda fundamental para o funcionamento da economia do planeta.
E é exatamente esse elemento que poderia trazer impactos significativos para a economia brasileira.
“Aparentemente a gente está falando de um conflito distante, mas nem tão distante assim. A gente está falando ali de uma região, o Irã, que está no Oriente Médio, onde acontece grande parte da produção de petróleo do mundo. […] Um possível conflito [nessa região] pode causar uma interrupção, uma redução da produção de petróleo no mundo e isso tornaria o petróleo que vem para o Brasil […] mais caro”, é o que afirmou à Sputnik Brasil a professora Juliana Inhasz, da Fundação da Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP).
“Aumentou o petróleo, aumenta tudo”
A professora também apontou algumas possibilidades de fatores de variação do preço da mercadoria com impacto no mercado brasileiro.
“Parece que está longe mas não está não. A gente está falando aí, muito provavelmente, com qualquer tipo de conflito que aconteça a partir de agora, de um encarecimento do preço do petróleo, seja por conta dessa dificuldade de transporte, seja pela dificuldade de fazer o deslocamento dessa mercadoria, seja mesmo pela própria interrupção ou diminuição da produção do petróleo”.
Inhasz afirma que o fator de primeiro impacto é o preço dos transportes no Brasil, que terão reflexo direto de qualquer variação no preço da mercadoria. Um situação indesejável, visto a abrangência da malha rodoviária brasileira.
“Para a gente issso é um problem muito sério porque o nosso sistema de distribuição de mercadoria, de escoameto, ele é feito praticamente, quase que totalmente em rodovias. Então a gente hoje têm um transporte que depende demais de derivados de petróleo, essencialmente diesel”.
Outro impacto possível é o preço da matéria-prima. Produtos que têm derivados de petróleo como matéria-prima poderiam ter acréscimo de preço para o produtor final. É, portanto, uma soma de fatores. “Aumentou o petróleo, aumenta tudo”, afirma a professora.
Efeito em cadeia pode impactar duplamente a inflação no Brasil
Juliana Inhasz, da FECAP, também falou à Sputnik da possibilidade de um efeito internacional do preço ter reflexos no Brasil.
“A economia americana também muito provavelmente vai sofrer com esse efeito. Acontecendo isso […] a inflação americana também sobe. E o aumento da inflação americana vai acabar pressionando a economia americana a também aumentar a taxa de juros deles, porque ele têm um sistema bem parecido com o nosso de metas de inflação”.
Com isso, segundo a professora, o mecanismo de regulação econômica tende a ser o mesmo utilizado no Brasil, a taxa de juros. Dessa forma, o investimento nos Estados Unidos, considerado menos arriscado, torna-se mais rentável e atraente, o que novamente aponta para um cenário negativo para os brasileiros.
Ainda na situação hipotética de flutuações causadas por atritos do Irã e reflexos de sua influência sobre a produção e circulação do petróleo, Juliana Inhasz afirma que: “Muito provavelmente a gente perde um pouco desses investimentos para a economia americana, e isso acontecendo a taxa de câmbios sobe mais ainda. E com a taxa de câmbio subindo mais ainda nossos produtos importados ficam ainda mais caros. Então a gente provavelmente vai ter um duplo efeito sobre a inflação caso aconteça qualquer tipo de descontinuidade da produção ou problemas de escoamento da produção de petróleo daqui para a frente”.Com a economia brasileira ainda em ritmo lento de recuperação, esses efeitos seriam maus ventos para a retomada econômica. Com produtos mais caros, menos investimentos e impacto na inflação, a economia brasileira torna-se uma fator a mais para torcer contra crise que se instala entre o Irã e os Estados Unidos.

domingo, 6 de maio de 2018

Etiópia, o milagre econômico da África

Addis Abeba, 6 mai (Prensa Latina) A economia etíope é considerada hoje a maior da região e um milagre na África, se tem em conta que há apenas 18 anos o país contava com um dos maiores índices de pobreza do mundo.